Língua Portuguesa - revisão de véspera somada - TJ CE 2026, Técnico Judiciário
Como esta aula foi feita
Esta aula não é de um curso só. Ela reúne o que os professores de todos os cursos que fizeram revisão de véspera do TJ CE ensinaram sobre Língua Portuguesa, cruzando um curso com o outro para descobrir onde eles concordam.
Porque, quando sete professores diferentes batem no mesmo ponto, esse ponto deixa de ser opinião e vira aposta.
Trataram desta matéria sete cursos, com sete professores:
- Tribo Concursos - professor Marcelo Ribeiro
- Carranza Cursos - professor Arnaldo, do perfil portuguesdefinitivo
- Gran Cursos Online - professora Tereza Cavalcanti
- Estratégia Concursos - professora Adriana Figueiredo
- Esquadrão de Elite - professor Felipe Oberg
- Qconcursos - professora Sasha Melo
- Ceisc Concursos - professora Luana Porto
Foram lidas cerca de seis horas de aula somente de Língua Portuguesa (aproximadamente 46 mil palavras de transcrição), das revisões de sábado 08/08 e da sexta 07/08.
Um alerta de método antes de começar: os sete cursos convergiram fortemente. Praticamente não houve briga de regra entre eles - houve, sim, um curso que aprofundou onde outro passou raspando. Isso está registrado abaixo.
As apostas comuns
1. 7 de 7 cursos — Concordância verbal
O verbo concorda com o núcleo do sujeito — e a FCC esconde o sujeito.
Foi o único tema tratado por absolutamente todos, e todos com o mesmo diagnóstico: é a questão padrão da FCC e ela vai cair.
- A professora Adriana Figueiredo, do Estratégia, abriu a aula chamando isso de "aposta número um, assunto que vem em todas as provas da FCC".
- A professora Tereza Cavalcanti, do Gran, disse "você amanhã vai encontrar uma questão de concordância verbal na sua prova".
- A professora Sasha Melo, do Qconcursos, disse que "é algo que a sua banca adora".
- O professor Felipe Oberg, do Esquadrão de Elite, chamou de "questão padrão da FCC".
- A professora Luana Porto, do Ceisc, disse que "a concordância mais cobrada na prova da FCC é a concordância verbal".
A regra e o método, somando os sete
O verbo concorda com o núcleo do sujeito. O procedimento na prova, na formulação da professora Adriana Figueiredo, é sempre o mesmo:
- 1. Ache o verbo.
- 2. Pergunte a ele "quem é que?" ou "o que é que?".
- 3. Ache o sujeito.
- 4. Dentro do sujeito, ache o núcleo.
O núcleo será sempre um substantivo ou um pronome.
A armadilha da banca, descrita em termos quase idênticos pela professora Tereza Cavalcanti e pelo professor Felipe Oberg: a FCC esconde o sujeito. Ela inverte a ordem, joga o sujeito para depois do verbo, coloca o sujeito longe do verbo e enfia entre os dois um monte de palavra no plural para você concordar com a palavra errada. A professora Tereza chamou isso de "canto da sereia".
As três eliminações que resolvem quase tudo
O professor Felipe Oberg, do Esquadrão, e a professora Adriana Figueiredo, do Estratégia, ensinaram exatamente a mesma técnica:
- Termo preposicionado nunca é sujeito. Se está escrito "a um pesquisador", "aos bons cidadãos", "das declarações", pule: sujeito não começa com preposição. A professora Sasha Melo deu a mesma dica com outro nome: "núcleo nunca aparece preposicionado".
- Termo isolado por vírgulas nunca é sujeito. Sujeito não se separa do verbo por vírgula.
- Se o que vem antes do verbo não pode ser sujeito, o sujeito está depois do verbo. Vá procurar lá na frente.
Leia a frase até o final
Dica específica da professora Adriana Figueiredo: muita gente erra porque lê só metade.
Em "não satisfazem as condições básicas de um amor verdadeiro o talento natural de declará-lo", quem lê curto acha que o sujeito é "as condições" e dá a questão por certa. Quem lê até o fim vê que o sujeito é "o talento" e que o verbo deveria estar no singular.
Sujeito oracional deixa o verbo no singular
Apontado por cinco cursos: Estratégia, Gran, Esquadrão, Qconcursos e Ceisc.
Se a resposta a "o que é que?" for uma oração, ou seja, se dentro do sujeito houver um verbo, o verbo de fora fica obrigatoriamente na terceira pessoa do singular.
"Tratar nossos sentimentos como picadas de mosquito não nos cabe" - e não "cabem". A professora Luana Porto chamou o sujeito oracional de "super queridinho da FCC".
O verbo HAVER impessoal
O verbo haver com sentido de existir, ocorrer, acontecer ou de tempo decorrido é impessoal: não tem sujeito e fica sempre no singular. Ensinado por Estratégia, Esquadrão e Ceisc.
O desdobramento que só o Estratégia e o Esquadrão detalharam, e que é o que a banca cobra: na locução verbal, o verbo principal manda e o auxiliar obedece. Se o principal é o haver impessoal, a locução inteira fica no singular:
- "deve haver"
- "costuma haver"
- "se tivesse havido firmes reações"
Mas cuidado com o outro lado da moeda, que a professora Adriana Figueiredo fez questão de marcar: quando o haver é só verbo auxiliar, ele não é impessoal e varia normalmente - "critérios haverão de primar", "condições hão de existir".
A professora Luana Porto acrescentou o contraste que a FCC adora: o existir não é impessoal, ele flexiona normalmente. Você escreve "deve haver muitas pessoas" no singular, mas "devem existir muitas pessoas" no plural.
Verbos caber e convir
A professora Tereza Cavalcanti avisou que "a banca adora o verbo caber" e deu a fórmula: quando a frase é do tipo "X cabe a Y", o X é o sujeito e o Y é o objeto indireto.
Isso não muda se a banca inverter para "a Y cabe X". O professor Felipe Oberg usou exatamente o mesmo raciocínio com "convir".
Expressão partitiva
Dois cursos trataram, e concordaram: com "a maioria de", "grande parte de", "um dos que" seguidos de plural, as duas concordâncias são aceitas.
- O professor Marcelo Ribeiro, da Tribo, deu como correta "a maioria dos presentes não protestaram" e explicou que se pode concordar com a expressão no singular ou com o determinante no plural.
- A professora Luana Porto disse o mesmo: "a maioria dos pais gosta ou a maioria dos pais gostam".
Sujeito composto
A professora Adriana Figueiredo e a professora Sasha Melo deram a regra completa entre as duas:
- Sujeito composto antes do verbo: o verbo vai obrigatoriamente para o plural.
- Sujeito composto depois do verbo: aí sim o verbo pode concordar com todos os núcleos ou apenas com o mais próximo.
Pegadinha: o caso de "o que". A professora Adriana Figueiredo avisou: "a banca adora isso". Quando o sujeito é "o que", o verbo concorda com o antecedente do pronome relativo, que é o "o" - portanto singular. "O que mais sobressai" e não "o que mais sobressaem".
Quem ensinou: os sete cursos - Tribo, Carranza, Gran, Estratégia, Esquadrão de Elite, Qconcursos e Ceisc.
2. 7 de 7 cursos — A partícula SE
A transitividade do verbo decide tudo: transitivo direto pede concordância, transitivo indireto prende o verbo no singular.
Todo mundo tratou, e todo mundo tratou porque cai junto com concordância.
- A professora Luana Porto chamou de "arroz de festa na prova da FCC".
- O professor Marcelo Ribeiro disse que é "casca de banana da FCC, copiado e colado na hora da sua prova".
A regra, na versão que os sete deram, é uma só e depende da transitividade do verbo:
Verbo transitivo direto (ou transitivo direto e indireto) + SE = partícula apassivadora.
Aqui não existe objeto direto na frase: aquilo que parecia objeto direto é sujeito. Logo, o verbo concorda com ele.
- "Vendem-se casas"
- "atribuem-se os hábitos"
- "submeteram-se diversas pautas"
- "multiplicaram-se as formas de arte"
A professora Adriana Figueiredo deu o teste definitivo: se você consegue passar a frase para a passiva analítica com o verbo ser, o SE é apassivador.
O professor Felipe Oberg deu o mesmo teste por outro ângulo: "se o verbo vai para o plural com o verbo ser, ele também vai para o plural com o SE" - se é "de todas as projeções que são feitas", então é "de todas as projeções que se fazem".
Verbo transitivo indireto, verbo intransitivo ou verbo de ligação + SE = índice de indeterminação do sujeito.
Aqui o sujeito é indeterminado e o verbo fica preso na terceira pessoa do singular.
- "Precisa-se de ajudantes"
- "acredita-se em conto de fadas"
- "não se gosta de arte contemporânea"
- "trata-se de temas polêmicos"
- "confia-se em duendes"
A professora Sasha Melo deu o macete de memória mais útil da revisão inteira: a sigla desse fenômeno tem i de indetermina e s de singular.
Terceira possibilidade, que só a professora Adriana Figueiredo destacou: o SE pode ser parte integrante do verbo, nos verbos pronominais - lembrar-se, esquecer-se, apaixonar-se, tornar-se.
Você reconhece porque o pronome acompanha o verbo em toda a conjugação: eu me torno, tu te tornas, ele se torna. Nesse caso o verbo concorda normalmente com o sujeito.
Pegadinha: o professor Marcelo Ribeiro mostrou o truque da banca. Em "não se gosta da arte contemporânea", o SE aparece antes do verbo por causa do "não", que atrai o pronome. Não se deixe enganar pela posição: a estrutura continua sendo verbo transitivo indireto mais SE, portanto índice de indeterminação, portanto sujeito indeterminado e verbo no singular.
Quem ensinou: os sete cursos - Tribo, Carranza, Gran, Estratégia, Esquadrão de Elite, Qconcursos e Ceisc.
3. 6 de 7 cursos — Transposição de vozes verbais
Só o verbo com objeto direto admite voz passiva — e o tempo e o modo do verbo têm que ser mantidos.
A professora Adriana Figueiredo listou como "aposta número dois". O professor Felipe Oberg chamou de "a questão padrão da banca FCC".
Duas provas diferentes citadas em aula (Tribo e Qconcursos) traziam a mesma questão, sobre "a utilização de tecnologias na escola proporciona inúmeras vantagens", com o mesmo gabarito: "inúmeras vantagens são proporcionadas pela utilização de tecnologias na escola".
A regra completa, somando os seis:
Primeiro: nem toda frase pode ir para a passiva.
Só admite voz passiva o verbo que tem objeto direto, ou seja, o transitivo direto e o transitivo direto e indireto. Verbo transitivo indireto, verbo intransitivo e verbo de ligação não admitem.
O professor Felipe Oberg fez desse ponto o coração da sua aula: quando o enunciado disser "não admite transposição para a voz passiva", não tente transpor frase por frase, você não tem tempo - apenas classifique a transitividade de cada verbo.
O professor Marcelo Ribeiro deu a mesma regra: "sem objeto direto não há como transformar em sujeito paciente".
Segundo: o mecanismo.
- O objeto direto da ativa vira sujeito paciente da passiva.
- O sujeito da ativa vira agente da passiva.
- O verbo vira locução com o verbo ser mais particípio.
A professora Luana Porto chamou de "regra do X". O professor Marcelo Ribeiro simplificou: "A fez B" vira "B foi feito por A".
Terceiro, e é aqui que a banca derruba: mantenha o tempo e o modo do verbo.
Foi dito por Tribo, Estratégia, Qconcursos e Ceisc, com essas palavras. Se o verbo da ativa está no presente, o verbo ser da passiva fica no presente. Se estava no passado, fica no passado.
Se estava no gerúndio, o verbo ser fica no gerúndio ("as sugestões não sendo acatadas"). A professora Sasha Melo mostrou que só isso já mata a maioria das questões: bate o olho nas alternativas e elimine tudo que trocou o tempo verbal.
Quarto: o verbo acrescentado é o verbo SER.
A professora Adriana Figueiredo avisou que a banca oferece "ter" e "estar" como isca. Não é ter, não é estar, é ser.
Quinto: depois de transpor, confira a concordância.
O sujeito novo pode ser plural. A professora Sasha Melo fez esse passo virar rotina: primeiro tempo e modo, depois concordância, e, se for passiva sintética, colocação pronominal.
Sexto: a passiva pode ser sintética.
A professora Adriana Figueiredo alertou que quando a banca pede "voz passiva" a resposta pode vir tanto na forma analítica (com o verbo ser) quanto na forma sintética (com o SE).
Na sintética, a posição do sujeito não importa - ele pode vir antes ou depois do verbo, e o verbo concorda com ele de qualquer jeito.
Pegadinha, e essa é do professor Felipe Oberg sozinho: verbo impessoal não admite voz passiva, mesmo sendo transitivo direto e mesmo tendo objeto direto. "Houve indignação e protestos" tem objeto direto, mas não tem sujeito - e sem sujeito não há como formar agente da passiva. Por isso o haver impessoal está fora.
Quem ensinou: Tribo, Carranza, Estratégia, Esquadrão, Qconcursos e Ceisc.
4. 6 de 7 cursos — Conectivos: adversativa contra concessiva
Adversativa e concessiva as duas exprimem oposição, mas não são a mesma coisa e não valem a mesma coisa.
- O professor Marcelo Ribeiro cravou: "na sua prova haverá no mínimo uma questão de uso de conectivo".
- O professor Arnaldo disse: "toda prova dessa banca deve ter uma questão para você apontar o valor semântico das conjunções".
- O professor Felipe Oberg disse que "a FCC adora as relações de oposição".
- A professora Adriana Figueiredo listou como "aposta número quatro".
Os valores básicos, na soma dos cursos:
- Oposição / adversidade: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto. O professor Marcelo Ribeiro avisou que o examinador "ama de paixão cobrar a adversidade e chamá-la de oposição".
- Concessão: embora, ainda que, mesmo que, apesar de, apesar de que, conquanto, por mais que. A professora Tereza Cavalcanti e o professor Marcelo Ribeiro disseram o mesmo teste: onde cabe "embora", é concessão.
- Causa: porque, pois, já que, visto que, uma vez que, como (no início da frase). O professor Arnaldo deu esse macete: "toda vez que você encontrar como no início da frase, tente trocar por porque".
- Consequência: tão que, tanto que, de sorte que, de modo que, de forma que.
- Conclusão: portanto, por isso, assim, dessa forma.
- Condição: se, caso, desde que, contanto que.
- Finalidade: para que, a fim de que.
- Proporção: à medida que, à proporção que.
- Conformidade: conforme, como, segundo, de acordo com.
- Alternância: ou... ou, ora... ora.
A distinção que o Esquadrão e o Ceisc ensinaram do mesmo jeito e que vale mais pontos que a lista inteira:
| Conectivo | O que ele carrega |
|---|---|
| Adversativa | Quebra a expectativa criada na oração anterior e carrega a ideia principal, o argumento forte, aquilo que o autor de fato defende (professor Felipe Oberg) |
| Concessiva | Carrega a ideia secundária, o argumento fraco, a ressalva - um argumento que se opõe, sim, mas que não é forte o bastante para invalidar o outro (professor Felipe Oberg) |
A professora Luana Porto disse o mesmo com outras palavras: "adversidade e concessão são parentes, mas não são iguais".
O exemplo do professor Felipe Oberg deixa isso prático:
- "Eles se esforçaram bastante, mas não conseguiram atingir a meta": o que importa aqui é que não atingiram a meta.
- "Eles se esforçaram bastante, ainda que não tenham conseguido atingir a meta": agora o que importa é que se esforçaram.
Mesmas duas informações, ênfase invertida. O professor Arnaldo trabalhou o mesmo fenômeno chamando a concessão de "ressalva".
Pegadinha, ensinada pela professora Adriana Figueiredo: quando a banca pedir para trocar uma adversativa por uma concessiva mantendo o sentido, duas coisas têm que mudar juntas: o verbo passa do indicativo para o subjuntivo, e a conjunção muda de oração. A concessiva não pode ocupar a mesma posição que a adversativa ocupava, porque isso inverte qual das duas ideias é a principal. Se a alternativa mexeu no verbo mas deixou a conjunção no mesmo lugar, está errada.
Segunda pegadinha, e essa é da professora Luana Porto: não responda de cor. A banca destaca um conectivo do texto - "no entanto", por exemplo - e você, sabendo que "no entanto" é adversativo, marca "oposição" e erra, porque naquele contexto ele não estava introduzindo oposição. "Decoreba é importante, mas não salva vocês na prova da FCC." Analise sempre no contexto.
Terceira pegadinha, da professora Adriana Figueiredo: "quando" não é só tempo - pode ser condicional, quando houver ideia de hipótese na frase. "Quando as palavras aparecem no papel, a mão fica mais leve" equivale a "se as palavras aparecem".
E "desde que" tem os dois valores também: é temporal quando equivale a "desde quando", com verbo no indicativo, e condicional quando equivale a "caso", com verbo no subjuntivo.
Ela lembrou ainda que "haja vista" é invariável e vale por "visto que", "porque" - não existe "hajam vistas".
Quem ensinou: Tribo, Carranza, Gran, Estratégia, Esquadrão e Ceisc.
5. 6 de 7 cursos — Pronomes: relativos, oblíquos e colocação
Pronome relativo é o que se troca por "o qual" — e a preposição que vem antes dele tem que ter sido exigida por alguém na frase.
O professor Marcelo Ribeiro foi o mais enfático: "não pode ir para a prova sem saber as funções do QUE"; "fica muito atento ao pronome relativo, que também estará na sua prova".
Como reconhecer o pronome relativo
Ele retoma um termo anterior, portanto é sempre anafórico (professor Marcelo Ribeiro), e o teste é a substituição por o qual / a qual / os quais / as quais (professor Felipe Oberg, professor Arnaldo).
Se você pode trocar o "que" por "o qual", é pronome relativo. Se não pode, é conjunção integrante ou parte de uma locução conjuntiva como "para que", "de modo que".
A preposição antes do relativo vem de fora, não vem sozinha
Foi a melhor imagem da revisão inteira, da professora Tereza Cavalcanti: "preposição sozinha é penetra".
Quando você vê "em que", "nos quais", "de que", "a que", pergunte de onde veio essa preposição - ela tem que ter sido exigida por um verbo ou por um nome da frase.
- "Argumentos nos quais pode se apoiar" está certo, porque quem se apoia se apoia em alguma coisa.
- "Razões nas quais ele justifica" está errado, porque não se justifica em razões - justifica-se por razões.
A professora Luana Porto ensinou a mesma coisa pelo lado do complemento: "os professores são as pessoas com quem converso", "os projetos em que confio".
Em que equivale a no qual / na qual, respeitando o gênero do antecedente (professor Marcelo Ribeiro): "o momento no qual", "a situação na qual".
CUJO indica posse e nunca vem seguido de artigo
Ensinado por Gran e Esquadrão, os dois com a mesma ênfase. O "cujo" já concorda em gênero e número com o substantivo que vem imediatamente depois dele, e depois de cujo só pode vir substantivo. "O leopardo cuja carcaça congelada..."
O professor Felipe Oberg foi taxativo: "nunca diga cujo o, cuja a, cujos os, cujas as - isso não existe". A professora Tereza Cavalcanti deu a mesma regra: "nunca há artigo depois de cujo".
ONDE só para lugar; AONDE só quando algum termo exigir a preposição A
Professora Tereza Cavalcanti: "são ocasiões aonde ele deve..." está duplamente errado, porque "ocasiões" não é lugar e porque nada ali pede a preposição. E "aonde investimos" também está errado, porque quem investe investe em, não investe a.
Oblíquos: O, A, OS, AS fazem objeto direto; LHE e LHES fazem objeto indireto
Ensinado por Carranza, Esquadrão, Qconcursos e Ceisc, todos igual. A professora Tereza Cavalcanti deu o exemplo que gruda: dizer "há quanto tempo eu não lhe via" é erro, porque ver é transitivo direto - o certo é "não o via".
As formas variantes dos oblíquos (professor Felipe Oberg, professora Sasha Melo, professor Arnaldo):
- Depois de verbo terminado em R, S ou Z, corta-se essa letra final e o pronome vira LO, LA, LOS, LAS - "formar" mais "o" dá "formá-lo"; "alcançar" mais "os" dá "alcançá-los".
- Depois de verbo terminado em som nasal, o pronome vira NO, NA, NOS, NAS - "usam" mais "as" dá "usam-nas".
Colocação pronominal - os fatores de próclise
Professor Marcelo Ribeiro e professora Luana Porto deram a mesma lista. Puxam o pronome para antes do verbo:
- as palavras negativas (não, nunca, jamais, nem);
- os pronomes relativos;
- as conjunções subordinativas;
- os pronomes indefinidos;
- os advérbios.
A professora Luana Porto acrescentou que, quando o verbo não inicia a oração e não há palavra atrativa, a colocação é livre: "o aluno feriu-se" ou "o aluno se feriu", as duas corretas.
Quem ensinou: Tribo, Carranza, Gran, Esquadrão, Qconcursos e Ceisc.
6. 5 de 7 cursos — Correlação e identificação de tempos e modos verbais
Olhe sempre para o primeiro verbo: é ele que manda no tempo do que vem depois.
A professora Adriana Figueiredo listou como "aposta número três, assunto certo sempre nas provas da FCC". O professor Felipe Oberg abriu a aula dele por esse tema.
Identificar o tempo e o modo (professor Felipe Oberg deu o macete mais direto):
- Terminações ava, ia, era, nha = pretérito imperfeito do indicativo. Ele disse que é "o que mais cai em prova": cantava, partia, era, tinha, pensava, dizia.
- Terminação ria = futuro do pretérito do indicativo: iria, seria, diria. Não confunda com o "ia" do imperfeito.
- Dois ss = pretérito imperfeito do subjuntivo: falasse, corresse, dissesse, tivéssemos.
Reconhecer o subjuntivo (professor Arnaldo)
O subjuntivo pede conjunção antes - por isso também se chama modo conjuntivo - e a vogal temática troca.
- Verbo terminado em a passa a terminar em e: começar, que ele comece; falar, que eu fale; praticar, que ele pratique.
- Verbo terminado em e ou i passa a terminar em a.
Ele resumiu os modos assim: indicativo afirma, subjuntivo levanta possibilidade, imperativo ordena ou pede.
A correlação - os dois pares que a FCC cobra
Professora Tereza Cavalcanti chamou de "os pares perfeitos", professora Adriana Figueiredo chamou de "os irmãos de ideia", e a regra que as duas deram é a mesma:
- Se eu soubesse, eu diria. Pretérito imperfeito do subjuntivo casa com futuro do pretérito do indicativo.
- Se eu souber, eu direi. Futuro do subjuntivo casa com futuro do presente do indicativo.
- Presente combina com presente ou com futuro - eles são irmãos e podem vir juntos. O que não pode é presente ou futuro do presente puxando um imperfeito do subjuntivo, e não pode imperfeito do subjuntivo puxando futuro do presente.
A professora Adriana Figueiredo deu o procedimento: olhe sempre para o primeiro verbo e pergunte se ele é presente, passado ou futuro; é ele que manda no que vem depois.
A professora Luana Porto deu o exemplo curto: "se elas ficassem mais em casa, eu ficaria feliz" - e não "ficarei".
Pegadinha, só do Estratégia: o pretérito mais-que-perfeito simples, aquele com desinência ra - demonstrara, falara, comera. Ele equivale a "tinha demonstrado" ou "havia demonstrado" e só está correto quando indica uma ação anterior a outra ação já passada. "Os cortesãos teriam elogiado o imperador pelas qualidades que este demonstrara": primeiro o imperador demonstrou, depois os cortesãos elogiaram. Se a ordem cronológica não for essa, está errado.
Segunda pegadinha do Estratégia: o futuro do pretérito ("teriam elogiado") soa estranho, e muita gente elimina por achar feio. Ele indica hipótese. Se a frase traz ideia de possibilidade, está correto. "Às vezes está feio, mas está certo."
Quem ensinou: Carranza, Gran, Estratégia, Esquadrão e Ceisc.
7. 4 de 7 cursos — Crase
Crase é a fusão do a preposição com o a artigo: faltando qualquer um dos dois, não há crase.
A professora Tereza Cavalcanti cravou: "vai cair uma questão de crase amanhã na sua prova".
Tribo e Gran resolveram a mesma questão, sobre a cidade aberta, e chegaram ao mesmo gabarito: "esses elementos são associados à vida moderna" - com crase, porque quem associa associa a alguma coisa e "vida" é feminino.
A definição, na formulação da professora Luana Porto: crase é a fusão do a preposição, exigido por um verbo ou por um nome, com o a artigo que acompanha a palavra feminina. Faltando qualquer um dos dois, não há crase.
Onde NÃO existe crase - a lista que os quatro montaram:
- Antes de palavra masculina. "Diz respeito a discurso" - discurso pede o artigo "o", não o "a".
- Antes de verbo. "Começou a apresentar o projeto."
- Antes de pronome indefinido. "Referiu-se a alguma pessoa."
- Com o "a" no singular diante de palavra feminina no plural. "Referem-se a ideias" - se fosse crase, seria "às".
- No sujeito. Esta é a mais cobrada e foi dita por Tribo, Gran e Esquadrão: o sujeito nunca vem preposicionado, portanto o sujeito nunca vem craseado. "As imagens da cidade moderna são análogas..." - "as imagens" é sujeito, não leva acento grave, ponto final.
O teste da troca por palavra masculina (professora Tereza Cavalcanti): substitua a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer "ao", há crase.
"As ruas abertas à livre circulação" - trocando: "abertas ao público". Apareceu "ao", então há crase.
O paralelismo (professora Tereza Cavalcanti): "a promessa de incorporação a sociedade moderna incluía não só a cidade e o consumo, mas também a ordem política".
Se o segundo elemento da série tem só o artigo, o primeiro também tem só o artigo. Objeto direto não pede preposição, logo não há crase ali.
Pegadinha, do professor Felipe Oberg: cuidado com a inversão. Em "quando ao valor econômico se superpõe a afeição", a tentação é crasear "a afeição". Não: "ao valor econômico" está preposicionado, logo não é sujeito; o sujeito é a afeição, e sujeito não leva acento grave. Quem se superpõe é a afeição, e ela se superpõe ao valor econômico.
Quem ensinou: Tribo, Gran, Esquadrão e Ceisc.
8. 4 de 7 cursos — Regência verbal e nominal
A pergunta é uma só: o complemento vem sem preposição (objeto direto) ou com preposição (objeto indireto)?
- O professor Felipe Oberg: "isso aqui é padrão na FCC".
- O professor Arnaldo: "toda prova dessa banca vai ter uma questão de análise sintática, normalmente perguntando quem é o sujeito ou qual é o complemento verbal adequado".
A tradução do enunciado, dada igual pelo Esquadrão e pelo Ceisc: quando a banca pede "o verbo com a mesma regência" ou "o verbo com o mesmo tipo de complemento", ela está perguntando uma coisa só - se o complemento vem sem preposição (objeto direto) ou com preposição (objeto indireto). Não precisa fazer mais nada além disso.
As três formas de errar a regência (professora Tereza Cavalcanti):
- 1. Usar preposição onde o verbo não pede.
- 2. Não usar preposição onde o verbo exige.
- 3. Usar a preposição errada.
Os exemplos dela: quem obedece obedece a alguma coisa; quem está apto está apto a e não com; implicar, no sentido de produzir efeito, é transitivo direto - implica algo, não implica em algo.
Ela acrescentou que, para a FCC, também conta como erro de regência usar o pronome lhe em função de objeto direto.
Os verbos de dupla regência, que só a professora Luana Porto detalhou e que ela chamou de "queridinhos da FCC":
- Aspirar no sentido de respirar é transitivo direto ("aspiro o ar da montanha"); no sentido de almejar é transitivo indireto ("aspiro ao cargo").
- Assistir no sentido de ver, presenciar, é transitivo indireto ("assisto ao jogo").
- Visar no sentido de almejar é transitivo indireto ("viso à vaga").
- Esquecer e lembrar: na forma não pronominal são transitivos diretos ("lembro o nome do filme"); na forma pronominal exigem preposição ("me lembro do nome do livro").
Regência nominal existe do mesmo jeito: o nome também pede complemento. "Medo de", "alheio a", "consenso sobre", "ligado a", "análogo a", "paralelo a".
Quem ensinou: Carranza, Gran, Esquadrão e Ceisc.
9. 4 de 7 cursos — Pontuação, principalmente a vírgula
Não se separa o sujeito do verbo por uma vírgula só — e vírgula de intercalação anda sempre em par.
A professora Adriana Figueiredo: "vai cair, pontuação sempre cai".
A proibição número um, dita por Tribo, Gran e Qconcursos: não se separa o sujeito do verbo por uma vírgula só, nem o verbo do seu complemento.
Se aparecer uma vírgula sozinha entre sujeito e verbo, a alternativa está errada. Duas vírgulas podem, desde que isolem um termo intercalado: "o título, o vício da distração, é de um livro de..." - certo. Uma só, nunca.
A regra das vírgulas casadas (professora Adriana Figueiredo, e a professora Sasha Melo deu a mesma pelo outro lado): na intercalação, uma vírgula faz par com a outra. Ou você coloca as duas, ou não coloca nenhuma.
O teste rápido para a hora da prova: retire o que está entre vírgulas e leia a frase sem aquilo. Se continuar fazendo sentido, as vírgulas estão bem colocadas. Se não fizer, estão erradas.
Adjunto adverbial e oração adverbial deslocados (professora Sasha Melo, professora Tereza Cavalcanti):
- Termo deslocado curto: a vírgula é facultativa - mas facultativa significa duas ou nenhuma, nunca uma só.
- Termo deslocado longo: a vírgula é obrigatória dos dois lados.
- A oração adverbial anteposta pede vírgula: "para estimular a vida interior, é imprescindível que..."; "não obstante haja percalços, deve-se reconhecer que...".
Pegadinha, do Estratégia: quando o enunciado disser que a supressão da vírgula altera o sentido da frase, procure sempre a mesma coisa - a oração adjetiva explicativa, aquela que vem com pronome relativo e entre vírgulas. Tirando as vírgulas, ela vira restritiva e o sentido muda de verdade: "sempre estimei as crônicas, que nos fazem próximos da poesia" (todas as crônicas) é diferente de "as crônicas que nos fazem próximos da poesia" (só essas).
Quem ensinou: Estratégia (aposta número cinco), Gran, Qconcursos e Tribo.
10. 3 de 7 cursos — Denotação e conotação
Denotativo é o sentido do dicionário; conotativo é o figurado — e o figurado é o que mais cai na FCC.
Estratégia e Ceisc trabalharam a mesma questão, a do "procurar sarna para se coçar", com o mesmo gabarito: "atrair para si um incômodo desnecessário".
A distinção:
- Denotativo é o sentido real, literal, do dicionário - a professora Adriana Figueiredo deu o macete "D de dicionário".
- Conotativo é o sentido figurado, contextual, que depende do repertório de quem lê.
A professora Luana Porto deu o par de exemplos: "a casa pegou fogo" (literal, incêndio) e "ele tomou um fogo" (figurado, ficou embriagado).
O professor Marcelo Ribeiro mostrou o mesmo com "o dicionário foi o primeiro a abrir a porta", que não é porta nenhuma, é ser inovador.
A professora Luana Porto avisou qual dos dois cai mais na FCC: o sentido figurado.
Pegadinha, do Estratégia: nessas questões a banca cobra duas coisas ao mesmo tempo e não avisa. Ela quer uma alternativa que (a) esteja em linguagem denotativa e (b) signifique o mesmo que a expressão do enunciado. Há alternativas que são denotativas mas dizem o contrário, e há alternativas que dizem quase o mesmo mas em linguagem figurada. As duas condições têm que bater.
Segunda pegadinha, do Estratégia, e vale para a prova inteira: inversão de polarização. Se o texto diz algo negativo e a alternativa diz algo positivo, ou vice-versa, elimine na hora. "A banca adora isso." Ela também costuma colocar duas alternativas dizendo a mesma coisa - se duas dizem o mesmo, nenhuma das duas é a resposta, e uma ajuda você a eliminar a outra.
Quem ensinou: Tribo, Estratégia e Ceisc.
11. 5 de 7 cursos — Como a FCC monta a prova de interpretação
O comando avisa se quer o que está escrito ou o que se deduz — e as questões de gramática se resolvem sem ler o texto.
Informação explícita contra inferência
O comando avisa qual das duas ele quer, e os professores leram o código do mesmo jeito.
| Comando do enunciado | O que ele quer |
|---|---|
| "conforme o texto", "é correto afirmar" (professor Arnaldo) | o que está literalmente escrito, sem achismo |
| "o texto permite concluir" (professor Arnaldo) | aí sim é dedução |
| "é possível inferir", "depreende-se", "segue-se como inferência" (professora Luana Porto) | palavras que anunciam inferência |
O alerta da professora Luana Porto é importante: inferência não é achismo - tem que haver no texto uma pista que valide aquela conclusão.
A banca recorta um fragmento e pergunta sobre ele
A professora Luana Porto: quando isso acontecer, volte e releia aquele parágrafo antes de olhar as alternativas, e olhe o verbo que abre cada alternativa - analisa, compara, critica, valoriza, defende. É ali que costuma estar a chave.
Questão de tradução / equivalência
Apontada por Gran, Ceisc, Estratégia e Qconcursos. O enunciado típico é "considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em".
A técnica que a professora Tereza Cavalcanti e a professora Luana Porto ensinaram é a mesma: compare palavra por palavra os dois lados, um olho no trecho original e outro no reescrito, e desconfie de parentescos falsos.
- "idealização" vem de ideal, "ideologia" vem de ideia, não é a mesma coisa;
- "virulência" é intensidade, não é contaminação.
A professora Tereza acrescentou: concentre-se no que você sabe, não no que você não sabe.
Coesão referencial
Tribo, Gran e Ceisc: a banca sublinha dois ou três termos do texto e pergunta a que cada um se refere.
A professora Luana Porto deu a regra prática: o referente quase sempre está para trás. O professor Marcelo Ribeiro avisou que a FCC "costuma cobrar uma questãozinha copiada disso" em toda prova.
Estratégia de prova da professora Tereza Cavalcanti, e vale ouro: não comece pela leitura do texto. Localize primeiro as questões de gramática - concordância, crase, regência, pronomes, pontuação - porque na FCC essas questões usam o texto apenas como pretexto e você as resolve sem ter lido nada. Depois volte e leia o texto para as questões de interpretação.
Ela chegou a prever a ordem: primeiras questões de interpretação, terceira de tradução/equivalência, quarta ou quinta de concordância verbal.
Quem ensinou: Tribo, Carranza, Gran, Estratégia e Ceisc.
12. 2 de 7 cursos — Discurso direto, indireto e indireto livre
Do direto para o indireto mudam três coisas: a pessoa gramatical, o tempo do verbo e os pronomes e advérbios.
As definições (professor Marcelo Ribeiro):
- Discurso direto: a fala do personagem é reproduzida literalmente, com dois pontos, travessão ou aspas - "A mãe disse: filho, não demore".
- Discurso indireto: o narrador se apropria da fala e conta por ele, usando um verbo de elocução mais a conjunção integrante "que" - "o rapaz afirmou que não voltaria à loja".
- Discurso indireto livre: os dois se misturam e você não sabe quem está falando, se é o personagem ou o narrador.
As três coisas que mudam na transposição de direto para indireto (professora Luana Porto):
- 1. A pessoa gramatical: da primeira para a terceira. "O rapaz disse: eu quero ir à praia" vira "o rapaz disse que queria ir à praia".
- 2. O tempo verbal recua um passo para o passado. O presente do indicativo vira pretérito imperfeito do indicativo: "eu não gosto de café" vira "disse que não gostava de café".
- 3. Os pronomes e os advérbios trocam. "O que é isto que está aí?" vira "perguntou o que era aquilo que estava ali".
Quem ensinou: Tribo e Ceisc (o Esquadrão informou ter tratado do tema na aula de sexta-feira, que não entrou nesta transcrição).
Apostas de um curso só
Figuras de linguagem - só a Tribo. O professor Marcelo Ribeiro disse que normalmente não traria o tema, porque a FCC não costuma bater nele, mas que a banca cobrou recentemente e por isso ele revisou:
- hipérbole é exagero ("pediu mil desculpas");
- eufemismo é suavização ("não era cafajeste, era um colecionador de amor");
- paradoxo é a junção de ideias opostas no mesmo elemento ("o gosto amargo do doce mel");
- metonímia é a troca da obra pelo autor ("leia José de Alencar").
Expressão expletiva ou de realce - só o Esquadrão. O professor Felipe Oberg: quando aparecer o conjunto verbo ser + que ("é que", "foi que", "será que", "seria que"), teste retirando os dois da frase.
Se a frase continuar de pé, sintática e semanticamente, aquilo é expressão expletiva ou de realce, não tem função sintática nenhuma - não é pronome, não é conjunção. Só enfatiza. "Eu é que darei as cartas" continua valendo como "eu darei as cartas".
Verbo impessoal não admite voz passiva - só o Esquadrão (detalhado na aposta 3).
O terceiro SE, parte integrante do verbo - só o Estratégia (detalhado na aposta 2).
Pretérito mais-que-perfeito simples e futuro do pretérito como hipótese - só o Estratégia (detalhados na aposta 6).
Haja vista invariável e o "quando" condicional - só o Estratégia (detalhados na aposta 4).
Oração desenvolvida contra oração reduzida - só o Ceisc. A professora Luana Porto:
- a oração desenvolvida tem conjunção mais verbo conjugado ("estudo para que eu passe");
- a reduzida perde a conjunção e traz o verbo numa forma nominal, infinitivo, gerúndio ou particípio ("estudo para passar"; "assim que vi um bandido, chamei a polícia" vira "vendo um bandido, chamei a polícia").
Dizem a mesma coisa com estruturas diferentes, e a banca cobra essa equivalência em questões de reescrita.
Dissertação expositiva contra dissertação argumentativa - só o Carranza. O professor Arnaldo: texto informativo e texto dissertativo; ele é expositivo quando não há marcas de pessoalidade e argumentativo quando o autor deixa opinião no texto.
As marcas de pessoalidade aparecem em adjetivos e advérbios desnecessários e em expressões como "a meu ver", "o mérito do trabalho está mais em".
Clareza e ordem direta - só o Carranza. O professor Arnaldo defendeu que a clareza exige que a frase comece pelo sujeito, depois o verbo, depois o complemento e por último o adjunto adverbial. Veja a ressalva na seção seguinte.
A vírgula antes do "e" - só o Carranza. Só cabe em duas situações:
- quando o "e" tem valor adversativo (equivale a "mas");
- quando ele liga duas orações de sujeitos diferentes.
Lógica dentro da prova de português - só a Tribo. O professor Marcelo Ribeiro trouxe uma questão de negação de proposições ("todas as fotografias publicadas são imparciais" tem como equivalente "nenhuma fotografia publicada é parcial") e explicou que a FCC às vezes coloca isso em português, sob o tópico de equivalência e transformação de estruturas.
Ele disse: "isso caiu em português e eu tenho medo de voltar a cair".
Estratégia de resolução: gramática antes do texto - só o Gran (detalhada na aposta 11).
Onde os cursos divergiram
Os sete cursos foram fortemente convergentes nesta matéria. Não houve nenhum caso de dois professores ensinarem regras gramaticais incompatíveis.
Registro abaixo os três únicos pontos em que alguém disse algo diferente do resto, e a resposta de cada um.
1. "Não obstante" é adversativa ou concessiva?
- A professora Adriana Figueiredo, do Estratégia, tratou "não obstante" como concessiva, equivalente a "embora", ao comentar a frase "não obstante haja percalços nas operações digitais, deve-se reconhecer que há feitos a celebrar".
- A professora Luana Porto, do Ceisc, listou "não obstante" entre as adversativas, ao lado de "mas", "porém", "contudo", "entretanto", "todavia", "no entanto".
Resposta: as duas estão certas, porque a locução tem os dois valores - e a diferença está no modo do verbo que vem depois.
- Seguida de verbo no subjuntivo, encabeçando oração subordinada, ela é concessiva e equivale a "embora" ("não obstante haja percalços" - exatamente o caso do Estratégia).
- Ligando duas orações independentes, com verbo no indicativo, ela é adversativa e equivale a "porém" (o caso listado pelo Ceisc).
Na prova, olhe o modo verbal antes de classificar.
2. Começar a frase por oração adverbial fere a clareza?
- O professor Arnaldo, do Carranza, sustentou que a clareza exige a ordem direta e que uma frase iniciada por adjunto ou oração adverbial ("como as crianças têm hábitos menos arraigados, é mais fácil modificá-los") fere a clareza.
- A professora Tereza Cavalcanti, do Gran, e a professora Adriana Figueiredo, do Estratégia, trataram a oração adverbial anteposta como construção perfeitamente correta, exigindo apenas a vírgula obrigatória depois dela.
Resposta: a norma admite a oração adverbial anteposta sem qualquer problema de correção - o único requisito é a vírgula.
O próprio professor Arnaldo reconheceu isso em aula: disse que marcaria a alternativa assim construída, que ela era a única sem erro gramatical, e que a sua objeção era uma ressalva pessoal de estilo, não um erro.
Ou seja, na hora da prova, oração adverbial no começo com vírgula está certa.
3. Quantas classificações tem a partícula SE?
- Tribo e Qconcursos ensinaram duas (apassivadora e índice de indeterminação).
- Estratégia ensinou três, acrescentando a parte integrante do verbo nos verbos pronominais.
Resposta: isso não é divergência de conteúdo, é diferença de profundidade. As três classificações existem e a de Adriana Figueiredo é a mais completa.
Para a concordância verbal, que é o que a FCC cobra, as duas primeiras resolvem a questão; a terceira aparece quando a banca pede a classificação do SE.
Pegadinhas que os professores avisaram
- 1. O sujeito escondido depois do verbo. Professora Tereza Cavalcanti e professor Felipe Oberg: a FCC inverte a ordem e coloca palavras no plural entre o verbo e o sujeito para você concordar com a errada. Pule o preposicionado, pule o que está entre vírgulas.
- 2. Ler só metade da frase. Professora Adriana Figueiredo: em concordância, leia até o ponto final antes de decidir quem é o sujeito.
- 3. Verbo transitivo direto mais SE. Professor Marcelo Ribeiro chamou de "casca de banana copiada e colada": "submeteu-se diversas pautas" está errado, o certo é "submeteram-se".
- 4. Sujeito craseado. Tribo, Gran e Esquadrão: sujeito nunca leva acento grave. E cuidado com a inversão, que faz o sujeito parecer complemento.
- 5. Trocar adversativa por concessiva no mesmo lugar. Professora Adriana Figueiredo: inverte qual ideia é a principal. Tem que mudar o verbo para o subjuntivo e mudar a conjunção de oração.
- 6. Responder conectivo de cor. Professora Luana Porto: "decoreba é importante, mas não salva vocês na FCC". Analise o valor do conectivo no contexto.
- 7. Cujo com artigo depois. Professor Felipe Oberg: "cujo o", "cuja a" não existe, nunca.
- 8. LHE como objeto direto. Professora Tereza Cavalcanti: "eu não lhe via" é erro; ver é transitivo direto, o certo é "não o via".
- 9. AONDE fora de lugar. Professora Tereza Cavalcanti: "aonde" só quando algum termo exigir a preposição A, e "onde" só para lugar físico.
- 10. Uma vírgula sozinha entre sujeito e verbo. Tribo, Gran, Qconcursos: proibido. Vale também entre verbo e complemento.
- 11. Vírgula facultativa colocada de um lado só. Professora Sasha Melo: facultativa quer dizer duas ou nenhuma.
- 12. Achar que futuro do pretérito é verbo feio. Professora Adriana Figueiredo: "teriam elogiado" está certo quando há ideia de hipótese. "Às vezes está feio, mas está certo."
- 13. Inversão de polarização. Professora Adriana Figueiredo: texto diz coisa boa, alternativa diz coisa ruim - elimine.
- 14. Confundir "ia" com "ria". Professor Felipe Oberg: "ia" é imperfeito do indicativo, "ria" é futuro do pretérito.
- 15. "Ir de encontro a" contra "ir ao encontro de". Professora Adriana Figueiredo: de encontro a é opor-se; ao encontro de é concordar. São opostos.
- 16. O haver que não é impessoal. Professora Adriana Figueiredo: quando o haver é apenas verbo auxiliar, ele varia normalmente - "critérios haverão de primar".
O que os cursos não chegaram a cobrir do programa
Sendo honesto com o que foi de fato ensinado nas seis horas lidas, estes itens do conteúdo programático não foram tratados por nenhum dos sete cursos, ou foram apenas tangenciados sem regra ensinada:
- Ortografia e acentuação. Nenhum professor revisou regras de ortografia ou de acentuação gráfica. É uma lacuna real, porque o item abre o programa.
- Relação do texto com seu contexto histórico. Nenhum curso tratou.
- Intertextualidade. Nenhum curso tratou.
- Elementos estruturais e processos de formação de palavras (radical, afixos, derivação, composição). Nenhum curso tratou.
- Sinonímia e antonímia como tópico próprio. Foi tocado apenas de lado, pelas questões de tradução e equivalência (Gran, Ceisc, Estratégia), mas ninguém revisou o tema em si.
- Concordância nominal. Foi apenas mencionada e definida de passagem (Carranza e Gran citaram o nome), mas nenhum professor ensinou as regras de concordância do adjetivo, do numeral e do artigo com o substantivo, nem os casos especiais. Considerando que o programa a lista lado a lado com a concordância verbal, esta é a lacuna mais preocupante da revisão.
- Flexão nominal (gênero, número, grau). Não tratada.
- Coordenação e subordinação como classificação formal das orações. Foi coberto indiretamente e bem - pelas conjunções, pelo sujeito oracional, pelas adjetivas explicativa e restritiva e pelas orações reduzidas - mas ninguém revisou a tipologia completa das subordinadas substantivas, adjetivas e adverbiais.
- Figuras de linguagem. Coberto por um curso só (Tribo), e mesmo assim de forma rápida, com quatro figuras. O próprio professor avisou que a FCC não costuma bater nesse ponto, mas que cobrou recentemente.
- Discurso indireto livre. Conceituado por um curso (Tribo) e não trabalhado em questão por ninguém.
Não preenchi nenhuma dessas lacunas com conhecimento próprio: o que está escrito acima é o que os professores ensinaram, e o que não está é porque não foi ensinado.