Raciocínio Lógico-Matemático - revisão de véspera somada - TJ CE 2026, Técnico Judiciário
Como esta aula foi feita
Esta aula não é de um curso só. Ela reúne o que os professores de todos os cursos que fizeram revisão de véspera do TJ CE ensinaram sobre Raciocínio Lógico-Matemático, somando aproximadamente 8 horas de aula lidas na íntegra.
Trataram desta matéria:
- Exatas pra Gabaritar - professor Sormany
- Tribo Concursos - professor Rafael Cardoso
- Carranza Cursos - professor Pedro Evaristo
- Gran Cursos Online - professor Marcelo Leite
- Estratégia Concursos - professor Brunno Lima
- Esquadrão de Elite - professor Pedro Campos
- Qconcursos - também com o professor Pedro Campos
- Ceisc Concursos - dois professores, Gus Rodrigues e Dudan
- Tiradentes Online - professor Elias (aula de sexta-feira)
São dez blocos de aula em nove cursos.
Uma observação de honestidade antes de começar: o professor Pedro Campos deu aula em dois cursos diferentes (Esquadrão de Elite e Qconcursos) com o mesmo roteiro e as mesmas questões. Sempre que um tema aparece nos dois, isso conta como um professor falando duas vezes, não como dois professores concordando. Onde isso importa, está dito.
As apostas comuns
1. 7 de 9 cursos — Associação lógica (personagens x características, em tabela)
Monte a tabela — e cada SIM apaga a linha e a coluna inteiras.
É a aposta mais consensual da matéria, com folga.
- Marcelo Leite, do Gran, foi o mais categórico: disse que a primeira coisa que a banca vai cobrar é associação lógica e que tem "certeza que isso aí vai cair".
- Pedro Evaristo, do Carranza, disse que estrutura lógica de relações arbitrárias é "um assunto que a banca FCC adora" e que o formato mais comum da banca são três personagens e dois pormenores (por exemplo, três nomes, três esportes e três idades).
- Brunno Lima, do Estratégia, chamou de "modelinho que nunca sai de moda" e disse que, nos últimos anos, boa parte das provas de tribunais da banca traz uma questão assim.
- Rafael Cardoso, da Tribo, colocou associação de informação entre os oito temas mais cobrados depois de analisar 2.147 questões da banca em tribunais e Ministérios Públicos a partir de 2022.
Sinal forte de convergência: Pedro Evaristo e Marcelo Leite resolveram exatamente a mesma questão (Daniel, Eduardo e Fernando; judô, remo e tênis; 17, 18 e 19 anos), e Sormany resolveu uma variante quase idêntica (Lucas, Marcelo e Rafael; teatro, dança e música; as mesmas três idades). Três professores de três cursos diferentes escolheram, sozinhos, o mesmo modelo de questão.
A regra completa:
- Monte uma tabela com os personagens nas linhas e as características nas colunas. Se houver dois pormenores (por exemplo, profissão e número de filhos), monte duas tabelas ligadas pelos mesmos personagens - foi o que Rafael Cardoso fez com Ana, Beatriz e Carolina.
- Comece sempre por uma informação segura e direta, do tipo "Daniel tem 17 anos" (Pedro Evaristo). Informação negativa ("não pratica remo") só serve para riscar.
- Ao marcar um SIM, preencha com NÃO toda a linha e toda a coluna daquele SIM. Essa é a jogada que Marcelo Leite chamou de "a grande jogada" e repetiu três vezes na aula.
- Brunno Lima deu o mesmo conteúdo em forma de mantra: "um não é um não e ponto final; um sim é um sim seguido de vários nãos". Ou seja: de um "não" você não conclui o que a pessoa é; de um "sim" você conclui o que todos os outros não são.
- Quando sobra um único espaço vazio na linha ou na coluna, ele é um SIM automático.
- Traduza as frases indiretas: "Arthur é amigo do guitarrista" significa que Arthur não é o guitarrista; "Carlos é vizinho do eletricista" significa que Carlos não é o eletricista; "o eletricista é mais alto que Arthur" significa que Arthur não é o eletricista (Brunno Lima). "Carlos e Daniel não tocam nenhum instrumento musical" elimina os dois da guitarra de uma vez.
- Sormany ensinou uma alternativa à tabela para quem prefere: escreva as três opções ao lado de cada nome, na mesma ordem, e vá riscando o que a questão elimina. Chamou de "técnica do risca". Não há um método obrigatório - Brunno Lima foi explícito: "eu não tenho como criar regra para o que não tem regra"; a tabela é sugestão, não imposição.
- Pedro Evaristo ensinou ainda um atalho para o subtipo "quem é o mais velho, o mais alto, o mais rápido": não monte nada; vá eliminando todo mundo que for menor que alguém. Quem sobrar é o maior. Para achar o menor, elimine todo mundo que for maior que alguém. Ele resolve em menos de trinta segundos.
Pegadinha: a questão costuma fechar toda a tabela e perguntar só um pedaço ("as profissões de Ana e Beatriz, respectivamente"). Feche a tabela inteira e só depois volte para a pergunta - e cuidado com o "respectivamente", que fixa a ordem da resposta.
Quem ensinou: Exatas pra Gabaritar (Sormany), Tribo Concursos (Rafael Cardoso), Carranza Cursos (Pedro Evaristo), Gran Cursos (Marcelo Leite), Estratégia (Brunno Lima), Ceisc (Dudan) e Tiradentes Online (Elias).
2. 6 de 9 cursos — Problema com incógnita: montar e resolver a equação
A banca não quer fórmula: quer saber se você monta a equação a partir do enunciado.
- Pedro Campos foi o mais enfático: disse que a banca "não está preocupada com conceito, não está preocupada com fórmula" - diferente de outras bancas, que pedem teorema de Pitágoras, área de figura plana ou montante de juros simples. O que o examinador quer saber é se o candidato sabe resolver problema, usando incógnita e equação como ferramenta. Chegou a dizer que esse tipo de questão é "talvez o mais cobrado da sua prova".
- Rafael Cardoso colocou equação de primeiro grau como a primeira das suas apostas, depois da análise das 2.147 questões.
- Brunno Lima mostrou o mesmo por outro caminho: as questões que ele trouxe eram "continhas básicas", multiplicação aqui, adição ali, e disse que isso "é o padrão da banca em RLM, principalmente para os concursos de tribunais".
A regra completa:
- Releia o enunciado já com noção do contexto e separe o que você sabe do que você quer. Pedro Campos: toda questão de exatas começa do mesmo jeito, lendo o enunciado e listando as informações - "essa história de não sei nem por onde começar" não existe.
- Sempre que precisar de um número que você não sabe, crie uma letra para representá-lo. Use letra sugestiva (litro de leite = L, total = T), porque na releitura você bate o olho e sabe do que se trata.
- Monte a equação por pedaços, vivendo a situação. No exemplo do supermercado que Pedro Campos usou nos dois cursos: se cada litro custa L, o primeiro litro custa L, o segundo L, o terceiro L, e o quarto, pela promoção, custa metade, ou seja, meio L; somando tudo dá o valor pago. Pronto, a equação está montada.
- Duas incógnitas exigem duas equações (sistema). Pedro Campos resolveu por escalonamento: some as duas equações de modo que uma incógnita se cancele.
- Sormany deu um atalho valioso para sistemas em que o número de equações é diferente do número de variáveis e a pergunta é uma combinação esquisita: some as equações, ou subtraia as equações, e divida a soma inteira por um número.
- No exemplo dele, somar as duas compras dava seis hambúrgueres, quatro sucos e oito sobremesas; dividindo a equação inteira por dois, saiu exatamente o que a questão pedia (três hambúrgueres, dois sucos e quatro sobremesas), sem precisar descobrir o preço de cada item.
- Rafael Cardoso deu o passo a passo de tradução: "se André der duas bolinhas para Bruno, ficam iguais" vira "A menos dois igual a B mais dois"; "se Bruno der duas para André, este fica com o dobro" vira "A mais dois igual a duas vezes B menos dois". Isole uma incógnita e substitua na outra.
Pegadinha: é o clássico dos clássicos da banca segundo Rafael Cardoso - o valor que você acha no meio do cálculo está plantado nas alternativas. Você descobre o total e marca, mas a pergunta era o algarismo das unidades; você descobre quantos Bruno tem e marca, mas a pergunta era a soma dos dois. Releia a última frase do enunciado antes de marcar, sempre, mesmo tendo certeza.
Quem ensinou: Tribo (Rafael Cardoso), Estratégia (Brunno Lima), Esquadrão de Elite (Pedro Campos), Qconcursos (Pedro Campos), Ceisc (Dudan) e Exatas pra Gabaritar (Sormany).
3. 5 de 9 cursos — Porcentagem, com acréscimo e desconto
Antes de calcular, pergunte "porcentagem de quê?" — e o referencial é sempre o valor de antes.
Três afirmações independentes na mesma direção:
- Brunno Lima: "dificilmente a prova de vocês amanhã vem sem alguma questão de porcentagem; é um tema realmente quente".
- Dudan: "outro assunto que eu tenho certeza que vai estar na tua prova".
- Sormany: "porcentagem cai muito, vai cair questão de porcentagem".
A regra completa:
- Por cento é uma fração de denominador cem. Dudan: "é uma fração especial com roupa de festa", e ela sempre vem multiplicada por algum valor.
- Atalho de cálculo (Dudan): um por cento de qualquer número se acha jogando a vírgula duas casas para a esquerda; dez por cento, uma casa para a esquerda. A partir daí você constrói o resto: dois por cento é o dobro de um por cento; cinco por cento é a metade de dez por cento; vinte por cento é o dobro de dez por cento.
- Atalho de Sormany, que serve quando o número termina em zeros: corte dois zeros e multiplique. Sessenta por cento de setecentos e cinquenta: corta os dois zeros, seis vezes setenta e cinco, quatrocentos e cinquenta.
- Equivalências que Dudan mandou decorar: cem por cento é o inteiro; cinquenta por cento é a metade; vinte e cinco por cento é um quarto; vinte por cento é um quinto; doze vírgula cinco por cento é um oitavo; dez por cento é um décimo; cinco por cento é um vinte avos; um por cento é um centésimo.
- Diferença de pontos percentuais. Pedro Evaristo resolveu de cabeça a questão dos dois candidatos: um acertou oitenta e cinco por cento e o outro noventa por cento da mesma prova, com dois acertos de diferença. Logo, cinco por cento da prova valem duas questões, dez por cento valem quatro, cem por cento valem quarenta questões. Dudan resolveu a mesma questão montando a equação e chegou ao mesmo resultado.
- Acréscimo e desconto: o referencial é sempre o valor de antes. Brunno Lima insistiu nisso: a queda de quatrocentos num contrato que valia dois mil e duzentos é uma queda de aproximadamente dezoito por cento, porque se compara com o valor original, e não com o valor novo. Se você comparar com o valor novo, cai na pegadinha que o examinador plantou.
- Se o desconto for de cinco por cento e você não quiser errar: ache dez por cento (uma casa de vírgula), divida por dois, subtraia do valor cheio (Dudan).
Pegadinha: Rafael Cardoso mandou dizer em voz alta "porcentagem de quê?" antes de calcular. Duas armadilhas concretas:
(a) o percentual pode ser do total ou de uma parte - Brunno Lima mostrou uma questão em que sessenta por cento incidia sobre os setecentos e cinquenta alunos com dificuldade, não sobre os mil entrevistados, e havia alternativa pronta para quem calculasse sobre os mil;
(b) a expressão "do restante" - vinte por cento dos jogadores são de um time e trinta por cento do restante são reservas: os trinta por cento incidem sobre o que sobrou, não sobre o total.
Quem ensinou: Exatas pra Gabaritar (Sormany), Tribo (Rafael Cardoso), Carranza (Pedro Evaristo), Estratégia (Brunno Lima) e Ceisc (Dudan).
4. 5 de 9 cursos — Média, moda e mediana
Média vezes quantidade dá a soma — e é da soma que a banca precisa.
Rafael Cardoso apostou explicitamente na "parte de estatística, pelo menos a parte de média", e explicou o motivo: os dois últimos tópicos do edital, proporcionalidade e noções de estatística, são novidade em relação ao edital de 2022 - e, nas palavras dele, "a banca não aumenta o edital por acidente".
Brunno Lima chegou à mesma conclusão por outro caminho: olhando as provas de tribunais dos últimos cinco anos, o que mais aparece dentro de noções de estatística é média, seguida de moda e mediana e de leitura de gráfico e tabela.
A regra completa:
- Média aritmética simples: some todos os valores e divida pela quantidade de elementos.
- O corolário que a banca cobra: se você tem a média e a quantidade, você tem a soma - soma igual à média vezes quantidade. Sormany insistiu que, na maioria das questões de média da banca, é da soma que você precisa.
- Brunno Lima usou exatamente isso: trinta vendedores com média de cinco contratos dão cento e cinquenta contratos; dez vendedores com média de três vírgula seis dão trinta e seis; a diferença, cento e catorze, foi produzida pelos vinte novos, cuja média é cento e catorze dividido por vinte, cinco vírgula sete.
- Dudan usou o mesmo raciocínio na questão dos cinco números de média vinte e oito: a soma era cento e quarenta; tirando um número, a média dos quatro restantes virou vinte e seis, soma cento e quatro; o número retirado é a diferença, trinta e seis.
- Média ponderada: multiplique cada valor pelo seu peso, some tudo e divida pela soma dos pesos - não pela quantidade de valores. Rafael Cardoso chamou a confusão entre as duas de a principal pegadinha da banca e avisou que as duas respostas estarão no gabarito.
- Moda: é o valor que mais se repete. Brunno Lima: "moda você não calcula, você observa". Um conjunto pode ter mais de uma moda (bimodal) e pode não ter moda nenhuma, se todos os valores forem diferentes - só Brunno Lima trouxe esse detalhe. Média e mediana, ao contrário, são sempre únicas.
- Mediana: a primeira coisa é colocar os dados em rol, ordem crescente ou decrescente (tanto faz, você escolhe). Depois:
- quantidade ímpar: a mediana é o termo central, e a posição dele é a quantidade mais um, dividido por dois;
- quantidade par: há dois termos centrais, nas posições quantidade dividido por dois e essa posição mais um, e a mediana é a média dos dois.
- Brunno Lima frisou o que mais confunde: essas contas dão a posição da mediana, não o valor dela. Sormany acrescentou que a mediana também é chamada de segundo quartil.
- Mediana em tabela de frequência: Pedro Evaristo ensinou a enxergar a mediana como o divisor de águas - metade dos dados abaixo, metade acima. Com duzentos dias e mediana de três vírgula cinco recolhimentos, cem dias estão abaixo de três vírgula cinco e cem acima; daí você descobre as frequências que faltam.
- Amplitude: o maior valor menos o menor valor (Sormany).
- Desvio padrão: é a raiz quadrada da variância (Sormany e Dudan, iguais). Dudan detalhou o cálculo: desvio de cada valor é a diferença entre ele e a média; eleva-se cada desvio ao quadrado, somam-se, divide-se pela quantidade de dados (na variância populacional) ou pela quantidade menos um (na amostral, que a banca cobra pouco).
- Unidades (só Dudan trouxe): média, moda, mediana e desvio padrão ficam na mesma unidade dos dados; a variância fica na unidade ao quadrado. Se os dados são em reais, a variância é em reais ao quadrado.
Pegadinha: em tabela de frequência, a moda é o valor que se repete, não o número de repetições. Pedro Evaristo previu o erro: "professor, pensei que a moda seria cinquenta e cinco - não, cinquenta e cinco é a frequência; a moda é o quatro".
Segunda pegadinha, de Brunno Lima: ao ordenar os dados para achar a mediana, as repetições contam e precisam ser escritas; ele mesmo esqueceu um valor repetido ao vivo e a mediana mudou.
Quem ensinou: Exatas pra Gabaritar (Sormany), Tribo (Rafael Cardoso), Carranza (Pedro Evaristo), Estratégia (Brunno Lima) e Ceisc (Dudan).
5. 5 de 9 cursos — Regra de três e proporção
Primeiro identifique se as grandezas são diretamente ou inversamente proporcionais.
- Sormany: "regra de três eles amam".
- Pedro Campos, no Esquadrão: "o tema mais clássico da banca é regra de três".
- Rafael Cardoso colocou regra de três e proporção entre os oito temas mais cobrados.
- Dudan disse que, se cair regra de três simples, "agradece, é uma questão acessível - mas não caia na armadilha dela".
(Há uma divergência sobre esse tema; veja a seção própria adiante.)
A regra completa:
- Regra de três simples. Primeiro identifique se as grandezas são diretamente proporcionais (sobem juntas ou descem juntas) ou inversamente proporcionais (uma sobe, a outra desce). Dudan deu o apelido: direta se resolve pelo "cruz credo", multiplicando em cruz; inversa se resolve pelo "lala", multiplicando em paralelo, na mesma linha.
- Exemplo de inversa que Dudan trouxe: comida para cento e cinquenta crianças por sessenta dias; no vigésimo dia chegam mais cinquenta. A partir dali, cento e cinquenta crianças teriam comida para mais quarenta dias; com duzentas crianças, multiplicando em paralelo, sobram trinta dias. Quanto mais gente, menos tempo.
- Regra de três composta (três ou mais grandezas). Sormany e Pedro Campos ensinaram o mesmo método, com nomes diferentes, e convergem inteiramente. Organize as grandezas nesta ordem: quem faz a ação, depois a ação que é feita, depois o tempo.
- Pedro Campos: a graça dessa ordem é que as setas ficam sempre iguais, porque quanto mais gente faz a ação, mais da ação é feita em menos tempo.
- Sormany chamou de método causa-consequência: a consequência é sempre o que o sujeito produz (as peças, os litros), e vai na última coluna; o resto é causa.
- Montada a ordem, a primeira fração fica isolada de um lado da igualdade e todas as outras vão multiplicando do outro lado, invertendo-se as que tiverem seta para baixo (Pedro Campos). Sormany descreve a mesma operação como "reto na causa": multiplique quem está na mesma linha.
- Atenção de Pedro Campos: as setas não dependem dos números da questão, dependem da natureza das grandezas. Pode acontecer de a quantidade de torneiras diminuir e o volume aumentar; isso não muda a seta.
- Divisão em partes diretamente proporcionais (Sormany): pegue o total, divida pela soma das partes e ache o valor de uma parte. Ele avisou que a banca também cobra divisão em partes inversamente proporcionais.
- Proporções encadeadas por um elemento comum (Dudan, único a trazer): quando o enunciado dá a proporção entre A e B e entre B e C, iguale a proporção de B nas duas, multiplicando numerador e denominador pelo mesmo número, até que B tenha o mesmo valor nas duas. Aí você tem uma receita única ligando os três. E, quando se trata de pessoas ou objetos que não se quebram, a quantidade tem de ser múltipla daquele número - por isso a questão pergunta o total mínimo.
- Fração complementar (Dudan e Rafael Cardoso): se foram analisados três sétimos dos processos, faltam quatro sétimos - a mesma lógica de "gastei setenta por cento, sobraram trinta". Rafael Cardoso deu o bizu: quando o enunciado reparte o total em várias frações diferentes e depois dá o valor absoluto do que sobrou, some as frações, ache a fração que falta para completar o inteiro e case essa fração com o número dado. Montar equação com incógnita nesse caso custa o dobro do tempo.
Pegadinha: nunca trabalhe com tempo quebrado. Sormany e Pedro Campos avisaram nas mesmas palavras. Onze horas e vinte e seis minutos vira seiscentos e oitenta e seis minutos; um minuto e meio vira noventa segundos. Converta tudo para a unidade menor antes de montar. E, no fim, veja em que unidade a questão quer a resposta - Pedro Campos achou quatrocentos e cinquenta segundos e teve de dividir por sessenta para entregar sete minutos e meio.
Quem ensinou: Exatas pra Gabaritar (Sormany), Tribo (Rafael Cardoso), Carranza (Pedro Evaristo), Esquadrão de Elite (Pedro Campos) e Ceisc (Dudan).
6. 4 de 9 cursos — Sequências e ciclos de repetição (a divisão com resto)
Ache o bloco que se repete, divida a posição pedida por ele e olhe o resto.
Marcelo Leite disse que "tem grande chance de cair". Sormany pediu para pensar sempre em sequências numéricas: quanto está somando de um termo para o outro, quanto está multiplicando.
A regra completa:
- Padrão cíclico. Identifique o bloco que se repete - Marcelo Leite chama de "carimbo". Conte quantos elementos o bloco tem. Divida a posição pedida por esse número e olhe o resto:
- Resto um: primeiro elemento do bloco.
- Resto dois: segundo. E assim por diante.
- Resto zero: o último elemento do bloco.
- Marcelo Leite e Elias ensinaram exatamente essa regra, cada um por conta própria, com exemplos diferentes.
- Elias aplicou a uma palavra de oito letras repetida infinitamente: para a posição cento e cinquenta, cento e cinquenta dividido por oito dá dezoito com resto seis, logo é a sexta letra da palavra.
- Cuidado de Pedro Evaristo: às vezes o ciclo não começa no primeiro termo. Se os dois primeiros termos ficam de fora do ciclo, desconte-os antes de dividir. No exemplo dele, o quadragésimo termo virava trinta e oito posições dentro de um ciclo de seis, seis ciclos completos e sobra dois - logo, o segundo elemento do ciclo.
- Sequências intercaladas (só Pedro Evaristo): quando a sequência parece não ter lógica nenhuma, teste se são duas ou três sequências fáceis encaixadas uma na outra. Separe os termos de três em três, ou de dois em dois, e cada subsequência revela um padrão simples (mais quatro, mais oito, mais doze).
- Fibonacci (só Pedro Evaristo): cada termo é a soma dos dois anteriores. Começando com um e dois, até sessenta a série tem nove termos: um, dois, três, cinco, oito, treze, vinte e um, trinta e quatro, cinquenta e cinco.
- Sequência alfanumérica (só Elias): trate a parte numérica e a parte das letras separadamente. Números dois, cinco, onze, vinte e três seguem "o anterior vezes dois, mais um"; letras A, C, E, G pulam uma letra do alfabeto.
- Atalho do algarismo das unidades (Pedro Evaristo): quando a questão pede a soma de três números grandes e as alternativas terminam em algarismos diferentes, some só os algarismos das unidades e elimine.
Pegadinha: contar posição é diferente de contar intervalo. Pedro Evaristo insistiu: "de cem a trezentos e sessenta e dois" inclui as duas pontas e dá duzentos e sessenta e três números (a diferença mais um); "entre vinte e trinta" exclui as pontas e dá nove números. Preposição muda a conta.
Quem ensinou: Exatas pra Gabaritar (Sormany), Carranza (Pedro Evaristo), Gran Cursos (Marcelo Leite) e Tiradentes Online (Elias).
7. 4 de 9 cursos — Verdades e mentiras
Ancore-se na informação que o enunciado dá como certa e procure a contradição.
Marcelo Leite: "outro assunto que tem grande chance de cair é a parte de verdades e mentiras".
A regra completa:
- Ancore-se na informação que o enunciado dá como certa. Marcelo Leite marcou de amarelo a frase "é sabido que nesse restaurante pelo menos um atendente sempre mente" e resolveu a questão inteira a partir dela: quem afirmou que nenhum atendente mente estava necessariamente mentindo, e a partir desse mentiroso caiu o resto em cadeia.
- Procure a contradição. Duas declarações que se negam não podem ser as duas verdadeiras nem as duas falsas - uma é verdade, a outra é mentira. Elias resolveu assim: "quem está brigando aqui é Beto com Caio"; testou Beto verdadeiro (gerou dois culpados, absurdo) e depois Caio verdadeiro (fechou).
- Sormany deu a versão curta: quando alguém chama o outro de mentiroso, ou o mentiroso é quem acusa, ou o mentiroso é quem foi acusado.
- Teste hipóteses e descarte a que gera absurdo. Brunno Lima chamou de suposição e foi honesto: "na prática é dar um chute organizado". Suponha que a pessoa X acertou tudo, verifique se as condições do enunciado continuam de pé; se alguma condição é violada (por exemplo, alguém teria errado tudo quando o enunciado diz que todos acertaram pelo menos uma coisa), a hipótese cai e você passa para a próxima.
- Ao mentir, nega-se a frase inteira: se o suspeito disse "não fui eu" e ele está mentindo, foi ele (Elias).
Pegadinha: não pare na primeira hipótese que funciona sem checar as demais, e não confunda "quem mentiu" com "quem é o culpado" - a questão costuma perguntar uma coisa depois de você ter descoberto a outra.
Quem ensinou: Exatas pra Gabaritar (Sormany), Gran Cursos (Marcelo Leite), Estratégia (Brunno Lima) e Tiradentes Online (Elias).
8. 4 blocos de aula, 3 cursos — Testar valores quando há mais incógnitas do que equações
Mais incógnitas do que equações não é erro seu: é o desenho da questão — teste valores.
- Pedro Campos foi o mais forte de todos: disse que isso "é uma exclusividade" da banca, que "só ela faz", e classificou como o tipo de questão mais difícil que a prova pode trazer.
- Dudan descreveu o mesmo comportamento por outro ângulo: "há dentro das questões da banca sempre um comportamento muito frequente de permitir que o candidato, em vez de resolver no braço, teste as alternativas".
- Sormany: "se você sabe utilizar as alternativas, utilize-as; várias questões dá para fazer testando as respostas".
A regra completa:
- A matemática é justa: uma incógnita exige uma equação, duas incógnitas exigem duas equações, três exigem três. Se você tem três incógnitas e só duas equações, não dá para resolver algebricamente - e isso não é um erro seu, é o desenho da questão.
- Nesse caso, teste valores respeitando as restrições que o enunciado deu em texto (por exemplo: "todos possuem pelo menos um", "fulano é quem tem menos"). Comece pela incógnita que amarra as outras - se Mário tem um a mais que Nicolas, teste por Nicolas, que os outros dois saem em seguida.
- Calibre por cima ou por baixo: se o teste estourou o total, desça; se sobrou, suba. Vá anotando quais cenários sobrevivem a todas as restrições.
- Se sobrar mais de um cenário válido, a resposta certa é a alternativa que vale para TODOS eles. Foi o coração da questão dos carrinhos: sobraram dois cenários possíveis, em um deles Otávio tinha dois e no outro quatro; a alternativa correta não era um número, era "Otávio tem um número par de carrinhos", que vale nos dois. Pedro Campos: "na lógica você só afirma o que você tem certeza".
- Dudan lembrou o limite do método com uma boa recomendação: em questão de sistema, avalie se não vale mais a pena testar as alternativas do que montar e resolver o sistema.
Pegadinha: Pedro Campos avisou que testar alternativa nem sempre funciona - se em vez de dez perguntas fossem mil, ou se o valor fosse grande, o teste inviabiliza. Saber montar a equação é o que funciona sempre; testar é atalho para casos pequenos.
Quem ensinou: Esquadrão de Elite e Qconcursos (ambos com Pedro Campos), Ceisc (Dudan) e Exatas pra Gabaritar (Sormany).
9. 3 de 9 cursos — Princípio da casa dos pombos e a pior das hipóteses
Garantir, com certeza, no mínimo: a questão está pedindo a pior das hipóteses.
Pedro Evaristo avisou de um detalhe importante: esse assunto não aparece com esse nome no edital, mas adora cair, camuflado como problema lógico ou problema aritmético. Rafael Cardoso listou entre as apostas dele e resumiu na frase "no mínimo e no máximo pede o pior caso".
A regra completa:
- Quando a questão usa as palavras garantir, com certeza, obrigatoriamente, no mínimo, o maior número possível, ela está pedindo a pior das hipóteses: imagine a pessoa mais azarada do mundo.
- Método: calcule o máximo de tentativas que ainda NÃO garantem o resultado e some um. No exemplo de Pedro Evaristo, dos quinze cartões numerados de um a quinze, cinco são múltiplos de três e dez não são; no pior caso a pessoa tira os dez que não servem, e o décimo primeiro obrigatoriamente será múltiplo de três.
- Pedro Campos ensinou a versão do mesmo raciocínio em problema de peso: quando o enunciado diz "o peso do recipiente é maior que dois mil" e pergunta a quantidade máxima de moedas, entenda que o máximo de uma coisa é o mínimo de outra - quanto mais pesado o recipiente, menos moedas cabem. Use o valor exato da fronteira (dois mil), calcule, e corrija para o inteiro do lado certo. Se o limite é "maior que", você joga o piso e desce um na quantidade; se é "menor que", você joga o teto e sobe.
- Rafael Cardoso trouxe outra variante: "comprou a quantidade exata gastando o mínimo possível" não aceita a primeira combinação que fecha - é preciso testar as combinações e comparar.
Pegadinha: o examinador esconde a palavra máximo atrás da palavra mínimo e vice-versa, nas palavras de Pedro Campos. Leia devagar de qual grandeza se pede o máximo.
Quem ensinou: Carranza (Pedro Evaristo), Tribo (Rafael Cardoso) e Esquadrão de Elite (Pedro Campos).
10. 2 de 9 cursos — Diagramas de conjuntos
Com três conjuntos, comece sempre pela interseção dos três.
Sormany: "eles gostam de conjuntos".
A regra:
- Com três conjuntos, comece sempre pela interseção dos três, depois preencha as interseções duas a duas, e só no fim as regiões exclusivas.
- Quando a questão pede a interseção e dá os totais, some tudo e veja quanto passou do total geral - a diferença é a interseção.
- Marcelo Leite mostrou a montagem com incógnita: quando uma região é a terça parte da outra, chame a menor de x e a maior de três x, some todas as regiões, iguale ao total e resolva.
Detalhe de leitura que Marcelo Leite destacou:
- "quem coleciona selo também coleciona moeda" significa que as regiões "só selo" e "selo e lata sem moeda" valem zero;
- quando a pergunta é "quantos colecionam exatamente dois dos itens", some as três regiões de interseção dupla e não inclua a interseção tripla.
Quem ensinou: Exatas pra Gabaritar (Sormany) e Gran Cursos (Marcelo Leite).
Apostas de um curso só
Propriedades das medidas quando se opera sobre todos os dados - só Sormany, do Exatas pra Gabaritar. Ele dedicou tempo grande a isso, dizendo que "o que eles gostam de colocar nas questões de desvio padrão são questões de propriedades". A regra:
- Se você soma ou subtrai a mesma constante a todos os elementos: média, moda e mediana mudam do mesmo jeito, mas amplitude, variância e desvio padrão não mudam.
- Se você multiplica ou divide todos os elementos pela mesma constante: média, moda, mediana e desvio padrão ficam multiplicados ou divididos por ela, mas a variância fica multiplicada ou dividida pelo quadrado dessa constante.
(Conferi: as três afirmações estão matematicamente corretas.)
Problemas com algarismos - só Rafael Cardoso, da Tribo. Aquelas somas em que letras iguais representam algarismos iguais. Ele os colocou entre as apostas por terem aparecido duas vezes nas provas de 2022. Método: cada letra é um algarismo de zero a nove; limite o resultado pelos valores máximos possíveis de cada coluna, descubra o "vai um" e teste.
Divisibilidade, múltiplos e MMC - só Rafael Cardoso apostou; nenhum curso resolveu questão do tema.
Relações de parentesco - só Pedro Evaristo, do Carranza. A chave dele: teste todas as configurações familiares possíveis e responda apenas o que vale em todas elas; se "Sofia é neta do pai de Flávio", então Flávio é irmão do pai ou da mãe de Sofia, e de qualquer forma ela é sobrinha dele - isso é necessário.
Simulação passo a passo - só Marcelo Leite, do Gran. O problema do elevador que sobe andar por andar, com gente entrando e saindo. Método: monte uma tabela com as colunas presentes, saem, entram e ficam, e simule andar por andar sem pular nenhum.
Contagem de posição em fila - só Marcelo Leite. Se você é o décimo sexto contando do início, há quinze pessoas na sua frente; se é o vigésimo nono contando do fim, há vinte e oito atrás. O total da fila é quinze mais um mais vinte e oito.
Método da borboleta para somar frações - só Dudan, do Ceisc. Como forma de somar ou subtrair frações sem perder tempo com MMC: multiplique os dois denominadores; para o numerador, cruze cada numerador com o denominador da outra fração, conservando o sinal.
Tabelas-verdade dos cinco conectivos, negações e equivalências - só Gus Rodrigues, do Ceisc, e Elias, do Tiradentes (ver a seção de divergências):
- a conjunção "e" só é verdadeira quando as duas partes são verdadeiras;
- a disjunção "ou" só é falsa quando as duas são falsas;
- o condicional "se... então" só é falso quando a primeira parte é verdadeira e a segunda é falsa;
- o bicondicional é verdadeiro quando as duas partes têm o mesmo valor lógico.
Gráfico de setores com legenda por hachura. Sormany e Brunno Lima trouxeram a mesma questão; Brunno alertou que a banca gosta de legendas com tracinhos e bolinhas e que o candidato pega a fatia errada. É aposta de dois cursos, mas o alerta sobre a legenda é só de Brunno Lima.
Onde os cursos divergiram
1. Lógica proposicional cai ou não cai? Esta é a divergência mais importante da matéria
A favor de estudar:
- Gus Rodrigues, do Ceisc, dedicou toda a sua participação ao tema - as cinco tabelas-verdade, negação de proposição simples e composta e as duas equivalências do condicional.
- Elias, do Tiradentes, trouxe três questões do tema (condicional em cadeia, quantificadores com diagramas e negação de condicional com conjunção).
Contra:
- Rafael Cardoso, da Tribo, foi direto - "eu não estudaria hoje a parte da lógica proposicional"; ele analisou as duas provas do TJ CE de 2022 e nenhuma trouxe lógica proposicional, embora o tópico do edital sobre conjunto de hipóteses abra uma brecha.
- Pedro Campos, no Esquadrão e no Qconcursos, disse que "regras de negação, regras de equivalência, tudo isso tem uma incidência muito baixa" nessa banca.
- Sormany, do Exatas, disse que "a parte de raciocínio lógico é pouco cobrada; o que eles gostam de cobrar mais é a parte do raciocínio matemático" - mas mesmo assim revisou as negações.
- Pedro Evaristo, do Carranza, disse "esse assunto eu nem tenho a expectativa tão grande dele cair, mas vamos por desencargo de consciência".
- Brunno Lima, do Estratégia, não tocou no tema.
Onde isso fica: não é uma divergência sobre uma regra, é sobre prognóstico de banca - não há fonte oficial que resolva.
O que dá para afirmar com segurança: o conteúdo programático oficial da matéria não cita proposição, conectivo, tabela-verdade nem negação. O que ele cita é "compreensão do processo lógico que, a partir de um conjunto de hipóteses, conduz, de forma válida, a conclusões determinadas". Isso é argumento, e por isso Rafael Cardoso o chamou de "brecha".
A maioria dos professores (quatro deles) desaconselhou investir tempo nisso hoje; dois investiram. Como as regras de negação são curtas, elas estão logo abaixo - custa dois minutos e cobre a brecha.
Regras convergentes entre Gus Rodrigues, Sormany e Elias, que ensinaram exatamente o mesmo:
- Negação do "e": vira "ou" e nega as duas partes.
- Negação do "ou": vira "e" e nega as duas partes.
- Negação do "se... então": mantém a primeira parte, troca o conectivo por "e" e nega a segunda. Gus chama de "regra do mané"; Sormany chama de "marido safado"; Elias ensina idêntico.
- Equivalências do condicional, as duas que a banca alterna:
- (a) nega a primeira, troca o "se... então" por "ou", mantém a segunda - Gus chama de "regra do Neymar";
- (b) contrapositiva: nega as duas e troca as duas de lugar, mantendo o "se... então" - Gus chama de "nega nega troca troca".
- Negação de "todo": existe pelo menos um que não. E, no sentido inverso, Pedro Evaristo deu a regra de eliminação mais útil da prova: nunca se nega um quantificador universal com outro quantificador universal - a negação de "todos" não é "nenhum" nem "todos"; alternativas que começam por "todos", "nenhum" ou "qualquer que seja" já saem de cara.
- Equivalências com quantificador (Sormany): "todo... não" equivale a "nenhum"; "nenhum... não" equivale a "todo".
- Cuidado que Elias mostrou: quando a segunda parte do condicional é ela mesma uma conjunção, a negação encadeia - mantém a primeira, põe "e", e a negação da conjunção vira disjunção com as duas partes negadas.
2. Regra de três é ou não é aposta? É o mesmo professor dizendo as duas coisas
- Pedro Campos, no Esquadrão de Elite, afirmou que "o tema mais clássico da banca é regra de três" e resolveu uma questão de regra de três composta.
- O mesmo professor, no Qconcursos, na sexta-feira, disse: "regra de três não é um tema muito explorado pela banca, não é; é bom saber sempre, mas não é o que ela mais ama".
As duas frases são dele e são incompatíveis. Não há fonte oficial que resolva um prognóstico.
O que dá para dizer: os outros professores estão do lado do "cai" - Sormany ("regra de três eles amam"), Rafael Cardoso (colocou entre os oito temas mais cobrados após analisar mais de dois mil enunciados) e Dudan (revisou o tema inteiro).
Além disso, o conteúdo programático oficial cita expressamente "problemas envolvendo regra de três simples". Estude regra de três.
3. Desvio padrão e variância caem?
- Brunno Lima, do Estratégia, respondeu a uma aluna ao vivo que, olhando as provas de tribunais da banca dos últimos cinco anos, desvio padrão "não é tendência" e por isso ele não trouxe - mas completou com honestidade: "se está no edital, cair pode".
- Sormany, do Exatas, foi na direção oposta e dedicou uma questão inteira às propriedades de variância e desvio padrão.
- Dudan, do Ceisc, ensinou o cálculo.
Resposta pela fonte: o conteúdo programático oficial da matéria lista, com todas as letras, "medidas de dispersão (desvio médio, amplitude, variância, desvio padrão)".
Ou seja, o tema está no edital e pode ser cobrado; a leitura de Brunno Lima é sobre frequência histórica, não sobre possibilidade. As regras que os dois professores ensinaram não se contradizem entre si e estão no material acima.
4. Um deslize corrigido ao vivo, que merece nota
Brunno Lima escreveu inicialmente que a posição da mediana em conjunto com quantidade ímpar de elementos seria "n sobre dois" e, segundos depois, corrigiu-se em voz alta: "corrija aqui para mim, é n mais um sobre dois".
A versão corrigida é a correta e é a que está neste material. Se você ouviu a aula dele ao vivo e anotou a primeira versão, corrija a sua anotação.
Fora esses quatro pontos, os cursos foram convergentes nesta matéria - notavelmente convergentes, inclusive escolhendo as mesmas questões.
Pegadinhas que os professores avisaram
- 1. A pergunta está na última frase. A banca planta nas alternativas o resultado intermediário do seu cálculo. Releia a última frase antes de marcar, mesmo tendo certeza. (Rafael Cardoso, reforçado na prática por Brunno Lima e Sormany.)
- 2. Porcentagem de quê? Diga isso em voz baixa antes de calcular. Pode ser do total, de uma parte, ou "do restante" - e cada base leva a uma alternativa diferente, todas plantadas. (Rafael Cardoso e Brunno Lima.)
- 3. Em aumento e desconto, o referencial é o valor de antes, não o de depois. (Brunno Lima.)
- 4. Média simples no lugar de média ponderada - a principal pegadinha da banca segundo Rafael Cardoso. Havendo peso, divide-se pela soma dos pesos.
- 5. Em tabela de frequência, a moda é o valor, não a frequência. (Pedro Evaristo.)
- 6. Mediana exige rol, e as repetições contam. (Brunno Lima, Sormany, Dudan.)
- 7. Unidade que muda no meio do enunciado: grama e quilo, hora e minuto, embalagem e caixa. Trabalhe sempre na mesma unidade e converta tempo para a unidade menor. (Rafael Cardoso, Sormany, Pedro Campos, Dudan.)
- 8. Ordem das operações não é ordem de leitura: parênteses primeiro, depois multiplicação e divisão, depois soma e subtração. Rafael Cardoso avisou que essa foi a questão treze da prova de analista do TJ CE, a primeira do bloco, feita para pegar quem estava com pressa no começo.
- 9. "De X a Y" inclui as pontas; "entre X e Y" exclui. (Pedro Evaristo.)
- 10. O peso do recipiente cheio inclui o recipiente. Nunca confunda o peso do conteúdo com o peso total. (Pedro Campos.)
- 11. O máximo de uma coisa é o mínimo de outra - o examinador esconde uma palavra atrás da outra. (Pedro Campos.)
- 12. "Tem que ser" não é "pode ser". Quando a questão pergunta o que necessariamente é verdade, só vale o que vale em todos os cenários possíveis. E lembre: "ou" significa pelo menos um - pode ser um, pode ser o outro, pode ser os dois. (Pedro Evaristo, reforçado por Pedro Campos.)
- 13. Nunca negue um quantificador universal com outro quantificador universal. (Pedro Evaristo.)
- 14. Na associação lógica, um "não" é só um "não"; um "sim" fecha a linha e a coluna inteiras. (Brunno Lima e Marcelo Leite.)
- 15. Legenda de gráfico de setores com hachuras e bolinhas: confira duas vezes qual fatia é qual antes de somar. (Brunno Lima.)
- 16. Testar alternativa nem sempre serve - funciona para números pequenos; para números grandes, só a equação resolve. (Pedro Campos, com concordância de Dudan e Sormany.)
Duas dicas de prova que vários repetiram e que valem a pena:
- Não deixe a matemática para o final, porque a cabeça já chega cansada (Dudan e Marcelo Leite, cada um por sua conta).
- Garimpe a prova, fazendo primeiro as questões de enunciado curto que você sabe resolver, sem duelar sete ou oito minutos com uma questão que vale o mesmo ponto de outra que você ainda nem leu (Dudan).
O que os cursos não chegaram a cobrir do programa
Sendo honesto com o que não houve:
- Desvio médio: o programa oficial lista essa medida de dispersão expressamente, e nenhum dos nove cursos a explicou. Dudan usou a palavra "desvio" no sentido de diferença entre um valor e a média, que é o ingrediente do cálculo, mas nenhum professor ensinou a medida "desvio médio" em si.
- Histogramas: o programa cita histogramas, gráficos de setores e infográficos. Os cursos trabalharam gráfico de setores (Sormany e Brunno Lima) e tabelas (Brunno Lima e Pedro Evaristo); Brunno Lima mencionou gráfico de colunas de passagem. Histograma e infográfico não foram tratados por ninguém.
- Variância e desvio padrão: cobertos, mas parcialmente - Sormany só pelas propriedades, Dudan só pelo cálculo, e Brunno Lima deliberadamente não trouxe.
- Divisibilidade, múltiplos e MMC: Rafael Cardoso apostou no tema, mas nenhum curso resolveu questão dele. Dudan usou MMC dentro de proporção, e só.
- Formação de conceitos e discriminação de elementos: essas duas expressões do programa não foram tratadas com esse nome por nenhum professor. Na prática elas costumam se realizar nas questões de associação lógica e de sequências, que estão amplamente cobertas.
- Raciocínio verbal: nenhum curso trabalhou questões de raciocínio verbal puro.
- Análise combinatória e probabilidade: não estão no programa e nenhum curso as trouxe - o que é coerente.
Uma nota final de calibragem, dada por quem mediu: Rafael Cardoso, da Tribo, apostou em cinco questões de RLM na sua prova, com base nas duas provas do TJ CE de 2022 (cinco questões cada) e num concurso de tribunal do trabalho de 2025 (também cinco), e observou que elas costumam vir logo depois de língua portuguesa.
Ele também avisou que a banca praticamente não anula questão de raciocínio lógico - não conte com anulação.